Discurso da candidata à Câmara de Lagoa, Anabela Morais, a 25 de Julho:
Boa noite! Amigas, amigos, militantes, simpatizantes do bloco, e convidados.
Agradeço desde já a vossa presença na minha apresentação como candidata à Câmara de Lagoa. Vou tentar ser breve, sem no entanto deixar de explicar o que me levou a aceitar o convite para me candidatar, e oferecer o meu trabalho para este lugar à Câmara que considero ser uma forma útil e voluntária de se poder contribuir para uma sociedade mais justa e melhor.
Estamos, tal como sabem e todos falam até á exaustão, a viver dias de crise económica. Esta crise, meus amigos, é muito mais do que números, do que estatísticas. Esta crise traduz-se na real diminuição da qualidade de vida das pessoas. Esta crise significa o não poder pagar a mensalidade da casa ao fim do mês, não poder pagar a creche dos filhos, não ter possibilidade de se estudar numa universidade pública ou privada, ficar a dever o mês da luz, água ou gás, significa o idoso com a sua reforma miserável não poder comprar os medicamentos ou ter uma assistência médica adequada.
Enfim, crise é pois falar de pessoas, mas falar de pessoas é falar de economia e da gestão dos recursos financeiros que norteiam uma sociedade que se pretende democrática e justa. Os problemas associados à economia das famílias e das pessoas revelam diversos problemas sociais. Nomeadamente o desemprego. Aqui no nosso concelho de Lagoa os dados oficiais, que foram enviados pela Delegação Regional do IEFP, são muito claros: 1051 pessoas aqui residentes estão inscritas no Centro de emprego de Portimão como desempregadas, quando eram umas 550 – cerca de metade - há um ano atrás. Aliás, este número nem corresponde à total realidade, pois muitos não estão no activo e não constam destas estatísticas do IEFP. Isto porque os desempregados, ao fim de algum tempo deixam de receber qualquer tipo de subsídio por parte do estado, e há muitos outros que nunca tiveram esse direito por não terem descontado durante o tempo exigido por lei. Percebe-se que as famílias entraram numa espiral descendente de problemas associados a esse desemprego e á consequente dificuldade de se manter uma vida condigna; o aumento da procura de alimentos no banco alimentar, crianças que vão para as escolas sem terem sequer o que comer ao pequeno-almoço, sendo que a refeição dada durante o dia na escola é a única refeição do dia para muitas.
Outro problema que existe na nossa comunidade, assim como em outras, são os números reveladores da violência doméstica. Como mulher que sou, falarei e trabalharei naturalmente para e com as mulheres deste Concelho no sentido de as servir e ajudar a superarem adversidades. Em Portugal, e só neste ano, morreram 12 mulheres às mãos dos seus carrascos e em 2008 os números oficiais indicam que foram assassinadas 43 mulheres. Neste concelho, os números oficiais que me foram fornecidos pela Coordenação da APAV demonstram que neste ano de 2009, até à data de hoje, 10 mulheres dos 30 aos 65 anos, 2 homens e 11 crianças são vítimas directas ou indirectas de violência doméstica; estas recorrem à GNR local ou das proximidades e outras vão directamente ao Gabinete da APAV que existe na esquadra da PSP em Portimão. E quantas outras, “comem e calam”. Esta chaga social é, pois, alvo de atenção por parte do Bloco de Esquerda, estamos pois empenhados em ajudar não só as vitimas como as próprias instituições governamentais e não governamentais que muito têm feito para dar respostas concretas a quem mais precisa, pois nós não somos “cúmplices” destes crimes. Pretendemos trabalhar no sentido de existir toda e qualquer alteração legislativa que consideraremos necessária, de modo a reagirmos contra este tipo de flagelo social.
Outro assunto, ao qual o Bloco de Esquerda está atento, são os Projectos de Interesse Nacional (PINs). Há que analisar com todo o rigor se efectivamente estes são mesmo de interesse nacional ou de interesses individuais. Projectos que envolvem milhões, que são projectados em áreas de reserva natural, … devem pois sofrer uma análise crítica e conscienciosa, com estudos de impacto ambiental, antes de serem aprovados e construídos. O Bloco de Esquerda considera que o desenvolvimento turístico do Algarve continua a prosseguir caminhos que são insustentáveis e que o regime dos PIN (Projectos de Potencial Interesse Nacional) está a contribuir para este desequilíbrio, ao permitir agilizar a aprovação de projectos que já deveriam ter sido abandonados há anos ou que ocupam áreas ambientais sensíveis. A região do Algarve é, a par, do Alentejo, a que tem maior número de projectos classificados como PIN.
Estamos pois atentos a esses Projectos ditos de interesse nacional. Até porque o BE pretende que o ministro informe quantos PIN turísticos estão aprovados para o Algarve, quantos são candidatos, e quais os que se situam dentro ou nas proximidades de áreas classificadas.
Estamos também atentos às injustiças laborais. Os despedimentos injustificados, as contratações ilegais, os falsos recibos verdes, o trabalho dito temporário que se prolonga por tempos indefinidos, as mulheres grávidas a quem não lhes renovam o contrato, as pessoas que pretendem reformar-se e não lhes são dadas condições para tal, … estamos atentos para defender todas estas pessoas.
Muitos outros temas cruciais são e devem ser debatidos em defesa do cidadão comum. Candidato-me por que sinto que em altura de crise não podemos baixar os braços, pelo contrário, é hora de lutar contra a crise, contra os poderes instalados, contra aqueles que governam e que habituados a estarem nos seus poleiros de poder não se apercebem das realidades e necessidades das pessoas tal como vós, tal como eu, com quem convivem diariamente. Não tenho pois medo nem terror de lutar, até porque, aqui estamos todos a passar pela crise que o nosso governo insiste em dizer que está a abrandar… temos cá as nossas dúvidas. Contudo, não estou aqui para falar mal dos outros partidos, nem tão pouco focar a minha atenção nos outros candidatos com a leviandade de os atacar, pois considero todos os outros candidatos cidadãos, pessoas, com o legitimo direito de participarem democraticamente na vida cívica e politica da nossa região e do nosso país. São pois livres de trabalharem de acordo com os seus ideais e princípios, os quais eu não partilho e não concordo com a esmagadora maioria das suas práticas políticas. Não sou naturalmente obrigada a partilhar as suas formas de encarar a gestão social e económica do concelho, pois também eu sou uma cidadã livre e posso e devo exercer o meu direito democrático de modo a defender os ideais de outros cidadãos que não tendo voz activa podem e confiam em mim para os representar adequadamente.
Não tenho 10, nem 20 anos de experiência política, é certo, muito tenho que aprender e conhecer sobre tudo o que envolve de forma dinâmica a nossa comunidade, contudo, tenho vontade de fazer melhor, pois não existem barreiras contra a “boa vontade”, tenho humildade e disponibilidade para ouvir as pessoas, e tenho bem vincado em mim a noção do “bem” e do “mal”.
O Bloco de Esquerda é um partido feito de pessoas, tal como aquelas que pretende defender e tem representado ao longo dos 10 anos da sua existência em Portugal. Somos uma Esquerda alternativa, somos e vamos continuar a ser uma Esquerda diferente que tem feito oposição junto dos outros partidos do poder. Procuramos humildemente exercer uma função de ouvintes, ajudando sempre a fomentar a justiça e a aplicação dos direitos das pessoas, dos trabalhadores, dos estudantes, dos desempregados, das vítimas de violência doméstica, … enfim, de todos, Portugueses e Estrangeiros/Imigrantes.
Não estamos, não estou preocupada com outra coisa, senão com as pessoas. As pessoas primeiro!
Não tenho medo de dar a cara, não estamos em tempo de ter medo de lutar e procurar soluções para a crise, para as desigualdades, para os despedimentos em massa, para todos os males que advém de um mau governo sucessivo dos recursos económicos do nosso país desde há anos e anos, e agravado por este governo do PS.
E, meus amigos, romper a crise, é sobretudo combater o desemprego.
E para terminar e não tornar esta minha apresentação demasiadamente exaustiva, quero vos dizer que estou aqui para trabalhar para as pessoas do Concelho de Lagoa, independentemente da sua cor política, da sua religião, da sua condição económica, do seu grau académico, da sua raça, do seu género sexual, da sua idade, … independentemente de tudo, estou a oferecer-me como cidadã activa e responsável para trabalhar para e com as pessoas, convicta de que, faz mais quem quer, do que quem muito sabe sobre politica há anos e anos neste Concelho.
Meus amigos, tenho um sonho, tenho um objectivo. Que cada mulher e homem sejam respeitados e valorizados no mundo do trabalho. O trabalho é um direito que assiste a todos, é a forma de todos termos uma vida condigna, é a forma de um país ter um saldo positivo para se desenvolver a todos os níveis. Sonho com o dia em que os patrões cumpram os seus deveres perante os seus colaboradores, pagando salários dignos que acompanhem a inflação.
Sim, sonho com o dia em que haja real democracia e direitos laborais onde haja real incentivo às famílias, à natalidade, à educação pública, à saúde pública.
E sei, que o meu sonho, é o vosso sonho, por isso conto convosco para conhecer tudo o que tenho que conhecer para melhor vos representar.
Lanço aqui uma proposta e um desafio a todos! Que escrevam para o endereço electrónico que criámos povolagoa.be@gmail.com de modo a participarem livremente nessa mudança que todos ansiamos para concelho de lagoa.
O Bloco em Lagoa propõe-se a Trabalhar e desenvolver uma série de acções, nomeadamente:
- No âmbito do empreendedorismo social instalar uma rede de empresas traçando um paralelismo entre a realidade local e europeia, criando um grupo local de apoio constituído por entidades que já fazem parte da rede social do concelho;
- Para apoiar efectivamente os cidadãos, vamos criar a partir do dia 21 de Agosto “O Gabinete Regional da Voz do Cidadão”, que pretendemos que funcione uma vez por semana, às 6ªFeiras das 17h às 18h, onde pretendemos ouvir os munícipes, assinalar os casos mais agudos, procurando dar resposta ou encaminhamento. Funcionará inicialmente nas instalações do Núcleo do BE Lagoa no Centro Comercial da Bela Vista. Este Gabinete após as eleições tornar-se-ia uma Provedoria Regional do Cidadão, onde o apoio no âmbito social e aconselhamento jurídico, seriam efectivos.
- Muitas outras propostas serão no seu tempo útil devidamente divulgadas junto de toda a população do Concelho de Lagoa; todas elas tentando responder às reais dificuldades de cada um.
Votar Bloco, não é votar apenas em políticos! É bem mais que isso! É votar no povo que sente os problemas na pele, pois NÓS, também somos povo, e não estamos a observar a crise à distância de um camarote lá nas alturas do poder! Votar Bloco, é procurar soluções justas e concretas para todos e retomar a economia que faz um povo viver em real democracia!
Conto convosco, tal como podem ter a certeza que podem contar comigo e com o Bloco de Esquerda.
Obrigada.
A Candidata à Câmara de Lagoa (Algarve) pelo Bloco de Esquerda.
Anabela do Cabo Morais