O Bloco de Esquerda de Lagoa vem por este meio repudiar e mostrar a sua indignação pela
Câmara Municipal de Lagoa ter concedido ao Edifícios Atlântico, SA, na qualidade de entidade
promotora, o alvará de loteamento urbano a levar a efeito no sítio das Alagoas Brancas.
Com a construção do referido loteamento é eliminada a zona húmida que funciona como uma
bacia de retenção das águas em períodos de grandes chuvadas. Assim, o risco das grandes
inundações irá aumentar prejudicando drasticamente áreas residenciais e de equipamentos.
Com a cobertura da área envolvida referente à urbanização industrial as águas da chuva irão
escoar para as zonas mais baixas e encaminhadas para os canais existentes. Estas águas serão
encaminhadas para o único aqueduto com 2.5 metros de largura atravessando a EN125 e que
recebe todas as águas das Alagoas Brancas e zonas altas envolventes.
O Município de Lagoa deveria ter a coragem e dignidade de manter e melhorar as condições
ambientais existentes nas Alagoas Brancas e proporcionando uma área de observação da
natureza e de educação ambiental, perseverando a sua fauna, flora e mantendo as condições
para receber as aves migratórias, constituindo assim, uma verdadeira zona húmida com relevo
para a avifauna.
A destruição das Alagoas Brancas constituirá um crime ambiental, colocando em causa valores
superiores como a conservação de espécies raras no nosso país, nomeadamente o íbis-preto,
conforme atestou a organização ambientalista algarvia Almargem.
Por outro lado, a construção de mais um hipermercado, a somar a outros cinco existentes
dentro e nas imediações da cidade, não irão trazer mais valias económicas, nem os
anunciados empregos, pois o excesso de oferta por certo esmagará o pequeno comércio local,
assim como colocará grandes dificuldades a outras superfícies comerciais.
Lagoa, 10 de novembro de 2020
O Bloco de Esquerda de Lagoa